Empresas brasileiras se preparam para acordo Mercosul-UE
O Acordo entre União Europeia e Mercosul pode enfrentar atrasos na ratificação devido à solicitação de parecer jurídico feita pelo Parlamento Europeu. Essa etapa adicional pode estender o prazo em meses ou até anos, em contraste com a prioridade dada pelo governo brasileiro para avançar com o tratado ainda neste semestre.
Para o setor produtivo nacional, esse possível adiamento não deve ser visto como tempo perdido, mas sim como uma oportunidade estratégica de preparação. O vice-presidente de vendas da Infor Brasil e South Latam, Waldir Bertolino, destaca que o acordo será um teste de maturidade para as empresas, revelando possíveis fragilidades além das questões tradicionais de infraestrutura e tributação.
Logística como diferencial competitivo
Um dos pontos cruciais para a competitividade do Brasil no bloco europeu é a logística. Durante a pandemia, a importância estratégica dessa área foi evidenciada, tornando-a um diferencial competitivo. A digitalização desempenha um papel fundamental nesse processo, permitindo maior visibilidade dos processos e redução de tarefas repetitivas.
Empresas que buscam competir globalmente devem focar em alcançar custos competitivos, níveis elevados de serviço e previsibilidade. Investir em eficiência operacional, governança, dados e tecnologia pode proporcionar escalabilidade e previsibilidade.
Desafios dos dados e do capital humano
Apesar dos desafios conhecidos de infraestrutura e burocracia, a qualidade dos dados corporativos e a capacitação das lideranças surgem como obstáculos silenciosos para a internacionalização. A falta de dados confiáveis e integrados pode limitar as tentativas de automação e ganho de eficiência, ressaltando a importância de preparar as equipes para a utilização estratégica das ferramentas.
O risco de ignorar essa etapa é alto, com a possibilidade de sistemas modernos não gerarem um impacto prático nos negócios. A preparação em dados e tecnologia é essencial para garantir a efetividade das mudanças necessárias.
Tempo de adaptação das empresas
Apesar dos 26 anos de negociações para o acordo Mercosul-UE, muitas empresas não o incluíram em seus planos estratégicos devido à distância e incerteza. No entanto, a visão em relação ao tempo mudou, evidenciando a necessidade de adaptação e preparação para as oportunidades e desafios que o acordo trará.
Segundo Waldir Bertolino, da Infor, é possível obter ganhos significativos em eficiência em um prazo de 12 a 18 meses com foco, execução e uso de tecnologia. Porém, alcançar um padrão global consistente demanda uma jornada de médio a longo prazo, com mudanças culturais necessárias no processo.
Conclusão
Com a Europa representando a principal incerteza no cronograma de aprovação do acordo Mercosul-UE, as empresas brasileiras ganharam um tempo extra para se prepararem e se organizarem. Enquanto o governo acelera a tramitação do tratado, as companhias nacionais têm a oportunidade de corrigir gargalos, investir em logística e tecnologia, e capacitar suas equipes para competir de forma mais eficaz em um mercado globalizado.
Fonte original: Estadão
Publicado por Redação AmdJus, com base em fontes públicas. Saiba mais sobre nossa linha editorial.
