Inflação amena e emprego aquecido nos EUA sugerem cautela do Fed até junho
No início de 2026, os dados da inflação ao consumidor (CPI) nos Estados Unidos, divulgados em janeiro, e a situação aquecida do mercado de trabalho indicam que o Federal Reserve deve manter os juros nas próximas reuniões, em março e abril. A expectativa é que os cortes comecem a ser considerados a partir de junho.
De acordo com o FedWatch, ferramenta da CME que monitora as probabilidades calculadas pelo mercado para a política monetária, a possibilidade de um corte de 0,25 p.p. em março é de apenas 9,7%. Em abril, essa probabilidade sobe para 28,1% e para 50,2% em junho.
O índice de preços ao consumidor (CPI) dos EUA subiu 0,2% em janeiro, em comparação com 0,3% no mês anterior. Em uma análise de 12 meses, o índice atingiu 2,4%, abaixo dos 2,7% registrados no mês anterior.
A economista-chefe da Suno Research, Gustavo Sung, destaca que a desaceleração da inflação é positiva para o Federal Reserve. Ele observa que os preços dos serviços aumentaram 2,9% nos últimos 12 meses, indicando uma resiliência da inflação nesse setor. Sung prevê que o Fed retome o ciclo de cortes de juros no segundo trimestre de 2026, com expectativa de encerrar o ano com a inflação entre 2,3% e 2,5%.
Para Claudia Moreno, economista do C6 Bank, apesar da inflação acumulada em 12 meses ainda estar acima da meta de 2% estabelecida pelo Fed, os dados mostram pressões principalmente nos preços de serviços. Ela sugere aguardar a divulgação dos próximos dados de inflação e emprego para melhor avaliação do cenário.
Segundo estimativas do Itaú, apesar do CPI ter ficado abaixo das expectativas, as projeções para o núcleo do PCE indicam riscos de alta, o que pode não favorecer cortes de juros pelo Fed. O banco aponta uma volatilidade em alguns componentes, como serviços médicos, e mantém uma estimativa preliminar de 0,45%.
André Valério, economista sênior do Inter, menciona que o dado do CPI americano pode estar subestimado devido a ajustes técnicos em decorrência da falta de coleta de preços durante o shutdown do governo em outubro. Ele ressalta a ausência de sinais de pressão inflacionária na economia e prevê que novos cortes de juros nos EUA só devem ocorrer a partir de junho.
Na análise do Bradesco, as métricas subjacentes da inflação são encorajadoras, apesar de algum repasse tarifário e da alta em determinados grupos de serviços. O banco sugere que os dados possam reduzir as preocupações com uma reaceleração expressiva da inflação a curto prazo, o que poderia influenciar as decisões do Federal Reserve.
Fonte original: InfoMoney
Publicado por Redação AmdJus, com base em fontes públicas. Saiba mais sobre nossa linha editorial.
