Banco Central mantém Selic em 15% ao ano e sinaliza corte de juros
Na primeira reunião de 2026, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu manter a Selic em 15% ao ano, patamar vigente desde julho de 2006. A decisão, unânime, surpreendeu positivamente o mercado, que já esperava tal movimento.
O Copom indicou que iniciará um ciclo de corte de juros a partir de março, com o objetivo de flexibilizar a política monetária. No entanto, a manutenção da restrição adequada visa garantir a convergência da inflação à meta estabelecida.
Em linha com a última reunião de dezembro, esta foi a quinta vez consecutiva que o Banco Central optou por manter os juros básicos inalterados. A decisão foi baseada em um cenário internacional incerto, com impactos da política econômica dos Estados Unidos e tensões geopolíticas.
No âmbito doméstico, os indicadores apontam para a moderação no crescimento da atividade econômica, embora o mercado de trabalho ainda demonstre resiliência. A inflação, por sua vez, segue acima da meta, mesmo com sinais de arrefecimento nas divulgações mais recentes.
As expectativas de inflação para 2026 e 2027 permanecem acima da meta, conforme apurado pela pesquisa Focus, situando-se em 4,0% e 3,8%, respectivamente. Diante disso, o Copom projeta uma inflação de 3,2% para o terceiro trimestre de 2027, mantendo os riscos de alta e baixa para a inflação em patamares elevados.
O Comitê acompanha os impactos do contexto geopolítico na inflação nacional, bem como os efeitos da política fiscal doméstica na política monetária e nos ativos financeiros. A incerteza vigente reforça a postura cautelosa do Copom em relação ao cenário econômico.
A manutenção da taxa básica de juros em 15% ao ano é vista como compatível com a estratégia de convergência da inflação à meta ao longo do horizonte relevante. Além de objetivar a estabilidade de preços, a decisão busca suavizar as flutuações da atividade econômica e impulsionar o emprego.
O atual cenário de incerteza demanda prudência na condução da política monetária. A estratégia em curso se mostra adequada para garantir a convergência da inflação à meta, e o início do ciclo de flexibilização em março dependerá da evolução de fatores que propiciem maior confiança na consecução desse objetivo.
Os membros votantes do Copom, liderados pelo presidente Gabriel Muricca Galípolo, respaldaram a decisão de manter a Selic em 15% ao ano. As próximas movimentações da política monetária serão guiadas pela busca pela estabilidade econômica e pelo controle da inflação, diante de um cenário desafiador e marcado pela incerteza.
Fonte original: InfoMoney
Publicado por Redação AmdJus, com base em fontes públicas. Saiba mais sobre nossa linha editorial.
