Banco do Brasil confirma previsão de redução da taxa de juros em janeiro: ‘Comitê de Política Monetária não deve suavizar discurso’
BofA mantém projeção de corte na Selic em janeiro
O Bank of America (BofA) segue mantendo a projeção de corte na Selic em janeiro de 2026, mesmo após a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter os juros em 15%. O chefe de economia para Brasil e estratégia para América Latina do BofA, David Beker, destacou que o Copom poderá reduzir a taxa de juros se os dados econômicos indicarem essa necessidade.
expectativa de corte em 0,50 bps e encerramento do ano em 11,25%
De acordo com o BofA, a expectativa é que o Copom inicie os cortes em janeiro com um corte de 0,50 pontos-base e encerre o ano com a Selic em 11,25%. Essa projeção fica abaixo da mediana do mercado, que está em 12%, porém continua acima do considerado juro neutro.
O comunicado que acompanhou a decisão do Copom foi considerado por alguns no mercado como um “banho de água fria”, com a manutenção da estratégia de juros altos “por período bastante prolongado” visando à convergência da inflação à meta. O Copom destacou riscos para a inflação, como a desancoragem das expectativas e a resiliência da inflação de serviços.
Expectativa de suavização da linguagem não se concretizou
David Beker esperava que o Copom tivesse suavizado sua linguagem no comunicado, porém o tom “hawkish” (dura) se manteve. Ele avalia que o Banco Central poderá reconhecer uma melhora no cenário e proceder com o corte em janeiro, porém a falta de suavização na linguagem aumenta a incerteza sobre essa possibilidade.
O chefe de economia do BofA ressalta que as condições econômicas atuais apoiam o corte na Selic e que, mesmo após a redução, a taxa de juros permanecerá acima da neutralidade. Ele destaca que se o BC sinalizasse um afrouxamento, o mercado já o precificaria, diminuindo o impacto da política.
Troca de diretores no Banco Central
O mandato de dois diretores do Banco Central que integram o Copom termina em 31 de dezembro. Até o momento, não foram indicados possíveis substitutos. Beker afirma que os novos diretores deverão ser nomes técnicos, que não interferirão na condução da política monetária.
A possibilidade de a troca de diretores ter influenciado a decisão do Copom em não sinalizar o futuro dos juros foi discutida no mercado. Para Beker, a consistência entre as políticas fiscal, creditícia e monetária é decisiva para cortar e manter o juro mais baixo, independentemente da troca de diretores.
Conclusão
A análise do Bank of America projeta um cenário de corte na Selic em janeiro, mesmo após a decisão do Copom de manter os juros em 15%. A falta de suavização da linguagem do Copom no comunicado aumenta a incerteza sobre a possibilidade desse corte. A troca de diretores no Banco Central não deve interferir na condução da política monetária, desde que haja consistência entre as políticas fiscal, creditícia e monetária.
Fonte original: Infomoney
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