Falências Disparam e Atingem Quase 40% das Empresas em Recuperação Judicial
No terceiro trimestre de 2025, o Monitor RGF apontou que quase 40% das empresas que saíram da recuperação judicial acabaram falindo. Esse percentual representa um aumento significativo em relação ao mesmo período de 2024, quando apenas 11% não conseguiram se recuperar.
A taxa de sucesso das empresas que cumpriram o plano de recuperação caiu para 63%, indicando uma dificuldade crescente em retornar à regularidade operacional após o processo.
Volume Recorde de Empresas em Reestruturação
O número de empresas em recuperação judicial alcançou um patamar recorde: 5,2 mil companhias estavam em processo de reestruturação no final do terceiro trimestre, representando um aumento de 20% em relação ao ano anterior.
Durante o período de julho a setembro, foram protocolados 435 novos pedidos, totalizando dívidas de R$ 16,8 bilhões. Do total, 120 empresas saíram da recuperação judicial, sendo que 44 delas não resistiram e acabaram falindo. A região Sul concentrou 19 dessas quebras, com destaque para os setores de comércio e serviços.
Agropecuária Continua sendo o Setor mais Afetado
A agropecuária lidera o ranking de empresas em crise proporcionalmente ao total de negócios ativos, com um índice de recuperação judicial de 12,63. Em números absolutos, o setor de serviços tem o maior número de empresas negociando dívidas, mas o índice proporcional é menor devido à grande quantidade de empresas ativas.
Principais Causas para o Aumento da Insolvência
Os especialistas apontam diversos fatores que contribuem para o aumento das falências, como a alta taxa de juros de 15%, que encarece o custo da dívida. O acesso restrito a novos créditos, mesmo após a reforma da lei de recuperação judicial de 2020, também é uma questão apontada como relevante.
Além disso, as falhas internas nas empresas, como superendividamento e problemas de gestão, também são fatores que agravam a situação e comprometem a eficácia das reestruturações.
Casos Emblemáticos e Desafios do Mercado
Casos como o da Oi ilustram a dificuldade de recuperação, mesmo com empréstimos milionários. A advogada Adriana Dias destaca que algumas empresas, como a Livraria Saraiva, não resistiram às mudanças de mercado e aos impactos da pandemia, resultando em pedidos de autofalência.
O timing inadequado para entrar com o pedido de recuperação e a falta de preparo das empresas também são fatores frequentes que levam à falência.
Conclusão
O aumento das falências e o recorde de empresas em recuperação judicial refletem um cenário desafiador para o mercado empresarial. A combinação de juros altos, crédito restrito e falhas de gestão tem impactado diretamente na capacidade das empresas de se reerguerem após o processo de recuperação judicial. O momento requer uma análise cuidadosa por parte dos empresários, buscando estratégias sólidas e ajustes internos antes de recorrer ao Judiciário, a fim de aumentar as chances de sucesso e evitar a falência.
Fonte: Agência Brasil
Publicado por Redação AmdJus, com base em fontes públicas. Saiba mais sobre nossa linha editorial.
