Alimentação em domicílio influencia IPCA-15 a ficar abaixo do esperado
A prévia da inflação, medida pelo IPCA-15, registrou alta de 0,18%, resultado influenciado pela deflação em carnes e queda de itens in natura, contrapondo-se às altas em energia elétrica e serviços. A média dos núcleos também avançou menos que o esperado, indicando um possível cenário de recuo consistente da inflação.
O economista Leonardo Costa, do ASA, destaca que, apesar de dois meses seguidos de núcleo de serviços mais fracos, o controle da inflação ainda caminha lentamente. Ele ressalta que parte desse movimento se deve a fatores temporários, como promoções em itens de lazer.
Descompressão gradual da inflação, mas com volatilidade à frente
Embora sinais de descompressão da inflação sejam perceptíveis, o processo ainda está em estágio inicial, segundo Costa. O economista salienta que é provável que haja volatilidade nos próximos meses. Já Felipe Queiroz, da Apas, observa que a inflação está abaixo dos 5% no acumulado de 12 meses, sendo a primeira vez no ano, com expectativa de encerrar um pouco acima dos 4,5%.
Alimentação em domicílio e bens industrializados
Queiroz destaca a contribuição da alimentação em domicílio para a desaceleração da inflação, ressaltando a queda de produtos essenciais como arroz, leite, ovos e cebola. Por outro lado, Costa menciona a surpresa negativa espalhada, com queda nos bens industrializados, sobretudo em artigos de residência, além do arrefecimento do núcleo de serviços.
Queda em alimentos e habitação, alta em transportes e despesas pessoais
A desaceleração do IPCA-15 foi impulsionada principalmente pela queda em alimentação e bebidas, com deflação em carnes, arroz e leite. Já em habitação, a energia elétrica residencial apresentou recuo, revertendo parte da alta observada em setembro. Os grupos que mais contribuíram para o resultado foram transportes e despesas pessoais, com destaque para combustíveis e passagens aéreas.
Expectativas e projeções para a economia brasileira
Queiroz projeta que a inflação mantenha a tendência nos próximos meses, com contribuição da safra recorde de grãos. Além disso, a valorização do real frente ao dólar também deve ajudar no controle inflacionário. Por outro lado, analistas como Nicolas Gass e Pablo Spyer destacam que a inflação segue em trajetória de moderação, mas com composição de preços ainda preocupante.
Tendência de desinflação e projeção para o IPCA
André Valério, do Inter, reforça a tendência de desinflação na economia brasileira, com menor pressão nos combustíveis e energia. A projeção é que o IPCA encerre 2025 com alta acumulada de 4,7%, com a possibilidade do Copom iniciar o ciclo de cortes em janeiro do próximo ano. A expectativa é de manutenção da tendência de queda da inflação.
Neste cenário, é importante observar possíveis impactos na Selic e nas decisões do Banco Central diante da evolução dos índices econômicos e da inflação nos próximos meses.
Fonte: CNN Brasil
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